quinta-feira, 13 de outubro de 2011

“The People” – I remember the home (Eu me lembro de casa)

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"Eu me lembro de casa" - frase marcante da história
Interessante. É o mínimo que posso pensar em relação ao que vou contar agora pra quem entrar aqui. Há muitos anos, mais especificamente nos idos de 1970 assisti um filme de ficção científica (daqueles da sessão da tarde) que me marcou, possivelmente exibido na Rede Globo, mas não conseguia lembrar do nome. Visto que sempre apreciei em demasia livros e filmes de ficção científica, acabei adquirindo inúmeras enciclopédias importadas sobre o gênero, mas nada encontrei sobre ele. Com o advento da internet, procurei informações sobre o filme mas sempre em vão, nem o nome me lembrava. Certo dia resolvi questionar outros cinéfilos da área em uma comunidade do Orkut da qual participo que tem relação com filmes antigos. Para minha surpresa, alguém lembrou do filme me indicando seu nome “The People” e até me enviou alguns links do youtube com pequenos trechos dele. Surpresa dupla ao descobrir que um dos protagonistas do filme era William Shatner, o conhecido capitão Kirk da série televisiva Jornada nas Estrelas que tanto admiro. 
William Shatner
Se você não se importar com spoiler o filme The People narra a história de uma professora (Kim Darby), que veio da cidade grande para o interior dos EUA para lecionar a um grupo de crianças de uma pequena aldeia, filhos de fazendeiros. O povo que lá vive, lembra muito os Amish, que abandonaram a tecnologia para viver do trabalho simples do campo. O problema maior da professora foi evidenciar que as tímidas crianças, agora seus alunos, não brincavam, não corriam e evitavam cantar. Mesmo para crianças do interior aquilo era no mínimo bizarro. Pra aumentar o mistério, todas arrastavam seus pés ao caminhar, fazendo pequenas nuvens de poeira ao caminhar pelos arredores. Com o tempo, naturalmente ela veio descobrir toda a verdade sobre aquele misterioso povoado. Não eram humanos e sim alienígenas que perderam seu planeta por conta da explosão de sua estrela (como acontecerá conosco daqui a cinco bilhões de anos) e sem muita alternativa sua nave veio parar no planeta Terra. No início, estavam expostos mas por conta de sua natureza alien dominavam poderes paranormais e assim, entre outras coisas, podiam flutuar livremente. Incompreendidos e naturalmente invejados pela população local onde viviam, acabaram sendo torturados e mortos (queima às bruxas). Os poucos sobreviventes que conseguiram fugir criaram aquela pequena comunidade, coibindo seus poderes de forma rígida para conseguirem sobreviver sem ficarem demasiadamente expostos. Da mesma forma, exigiam que as crianças que surgiam na comunidade, arrastassem seus pés para não saírem voando por ai. As normas também exigiam que não poderiam brincar ou correr, o que explicava os “mórbidos recreios”. Ao final do filme, a professora e o médico vivenciado por Willian Shatner, mesmo sabendo de sua origem alienígena, resolvem ficar por ali e viver em harmonia com os habitantes da pequena aldeia, agora mais segura com relação a sua natureza diferenciada.  (fim do spoiler)
Capa do livro Pilgrimage de Zenna Henderson
Depois de assistir novamente ao filme, voltei a internet para outra pequena pesquisa sobre a origem da história. Descobri que inicialmente a história fora um romance publicado, um livro denominado “Pilgrimage”, escrito em 1961 por Zenna Henderson, que nasceu em 1917 e faleceu aos 66 anos de câncer em 1983. Nessa procura, encontrei um blog americano que narra aspectos particulares da vida da escritora e que valem a pena serem mencionados aqui. 
 Zenna Henderson

A profissão da escritora de romances de ficção científica era a de professora e por muitos anos foi adepta da religião mórmon. Ora, muitos grupos mórmons americanos vivem afastados da tecnologia e seu sustento é a base do que criam e plantam. Essa influência é denotada pelo que consta nos depoimentos dele e de seus leitores em outros dois livros que ela escreveu, onde sempre uma professora e seus alunos são os protagonistas de suas fantásticas histórias de ficção científica. 
 Túmulo da escritora
Possivelmente ela como escritora e professora, acabava analisando o comportamento das pessoas a seu redor (seus alunos e o povo mórmon), que lhe serviram de inspiração para seus personagens misteriosos que viriam a enriquecer suas obras literárias fantásticas. Limitava-se ao que conhecia e como a maioria de seus leitores possivelmente provinham de grandes cidades, encontrariam naquela estranheza um ambiente bem alien. Imagino que com a chegada de 1972 deve ter ficado imensamente satisfeita e feliz por saber que seu mais famoso livro tornou-se um filme para televisão e estrelado por Willian Shatner. Pena que não fez tanto sucesso como seus livros o fizeram nos EUA. Mas, de uma coisa tenho certeza. Seus livros, como o filme, marcaram na época, a vida de crianças e jovens (como eu), que viriam a apreciar o fantástico e o maravilhoso.  Pra você ter uma ideia escrevi e publiquei um conto denominado "A Aldeia Silenciosa" que foi totalmente inspirado nesse filme. Um professor que se inspirou em um conto escrito por uma professora, quem escreveu sobre outra professora. Interessante... 
Se você ficou curioso e não se importa de assistir filmes antigos (qualidade VHS), acompanhe o filme na íntegra pelo Youtube sem legendas aqui:
Filme "The People" no Youtube com 70 minutos

Se você se interessou em realizar uma tradução para legenda-lo entre em contato comigo através do facebook.

2 comentários:

Marcelo disse...

Carlos, tudo bem?

É incrível como a ausência de efeitos especiais não tira a qualidade e a possibilidade de se produzir filmes de ficção memoráveis.

Belo resgate e vou assitir com toda certeza.

Abraços!

cipexbr disse...

Olá Marcelo. Que bom que gostou do meu resgate. Considero um achado. Divirtam-se.